Reinvente, empreenda, seja inovador, saia da zona de conforto, pense fora da caixa, aprenda a aprender, etc. Todas expressões que podem sair tanto da boca de um coach que fracassou em tudo que fez na vida e que agora quer te ensinar o caminho para o pote de ouro, como de um trader picareta de Instagram ou empresário que herdou de papai uma empresa. Ou pior, de uma pessoa de classe humilde que repete tudo que recebe no zap zap ou vê no Facebook sem pensar direito. Porém, a grande verdade é que nenhuma dessas supostas habilidades vão de servir para entrar ou se manter no mercado de trabalho num futuro próximo.
Vivemos um época em que o neoliberalismo vem sugando as nossas últimas gotas de sangue. Para piorar a pandemia ajuda no processo de exploração e empobrecimento dos trabalhadores. Os ricos vem ficando mais ricos e os pobres mais pobres. Com a desculpa de se gerar empregos, direitos básicos vem sendo retirados dos trabalhadores não só no Brasil. E o resultado advinha: milhões continuam desempregados, quem está empregado ganha menos e os empresários aumentaram suas margens de lucro. Com a precarização que veio com aplicativos como Uber e o Ifood, onde o "trabalhador-empreendedor" tem jornadas de trabalho de 12 horas de trabalho por dia 6 ou mesmo 7 dias por semana para ganhar o mínimo para sobreviver a vida vem se tornando cada vez mais sofrida e estressante. E o pior é que muitos desses empregos precários podem desaparecer nos próximos anos. Basta imaginar nos carros autônomos. Com eles, motoristas de aplicativos vão ser dispensáveis.
É necessário acabar com essas falácias sobre empreendedorismo que iludem os trabalhadores e se criar uma rede de proteção para a maioria da população. Basicamente nos próximos anos qualquer emprego poderá ser eliminado por algoritmos, e diferente do que alguns pensam não apenas empregos de baixa qualificação. Basta ver o setor bancário, que emprega pessoas com alto nível de instrução e que a cada ano vem demitindo mais do que contratando, mesmo com o aumento dos ganhos...
O caminho penso, pode ser a adoção de um Estatuto do Trabalho, que garanta que algumas funções JAMAIS sejam substituídas por máquinas, com vistas a garantir empregos. Agora, funções que pagam baixos salários e que colocam vidas em risco como trabalhos na mineração, agricultura, setor siderúrgico entre outros podem muito bem ser feitos por robôs. Para os que sofrerem com o desemprego estrutural (afinal ninguém é obrigado a viver numa eterna mudança de profissão) poderia ser criado um programa de renda mínima. O dinheiro viria da taxação de grandes fortunas.
Para os advogados de ricos de plantão, é bom lembrar que vários países DESENVOLVIDOS como Suécia, Dinamarca, França, Alemanha e Japão taxam ou já taxaram grandes fortunas. E nem por isso houve uma "fuga de ricos" destes países. Até países em desenvolvimento como Argentina, Colômbia e Uruguai taxam grandes fortunas. Por que isso não poderia ocorrer aqui? Sabemos a resposta, nossa elite até hoje tem mentalidade escravista. Quer viver num luxo de realeza às custas do suor do trabalhador. Eles não ficam satisfeitos em ter dinheiro. Querem ter dinheiro e querem que os trabalhadores não tenham quase nada. Somente o mínimo para sobreviver. E o pior é que nossa classe média pensa de forma parecida, embora também seja CLASSE TRABALHADORA.
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